Home / Blog / Hora de calçar as chuteiras
Aumentar Diminuir
LinkedIn Orkut Facebook Twitter Slideshare YouTube
DNews
Blog
Clipping
 
Português Português
English English
SP +55 11 3010-9740  /  BH +55 31 3291-5100
Dasein

Blog

Aumentar Diminuir
* Carolina Lenoir
Hora de calçar as chuteiras

06/02/2012 | 00:00

Por Carolina Lenoir

Escassez de mão de obra especializada no mercado leva empresas a contratar profissionais já aposentados

 

Depois de tantos anos de trabalho, é recompensadora a ideia da aposentadoria, com seus honorários livres, almoços sem cronometragem e viagens marcadas sem preocupação com a escala da empresa. Acostumar com essa realidade, porém, tem se mostrado difícil para uma parcela da população cada vez mais ativa, disposta a usar sua capacidade de trabalho até a última gota. Mudanças no mercado sugerem, no entanto, que as chuteiras não estão ficando tanto tempo penduras. Em alguns setores da economia, a falta de mão de obra qualificada, conhecida como apagão de talentos, gerou escassez de profissionais. Diante disso, as empresas começaram a expandir o foco de buscas e incluíram pessoas com mais experiência, vivência e conhecimento do mercado de trabalho; ou seja. Os profissionais aposentados.

 

Um indicativo dessa alternativa encontrada pelas empresas é o estuda realizado pela Hays Recruiting experts worldwide – consultoria especializada em recrutamento de média e alta gerência – com 100 empresas, que revelou que 20% delas contratam profissional já aposentados. O número pode parecer pequeno, mas representa um movimento relevante na estrutura do mercado. O levantamento revelou também que 50% dessas contratações ocorrem em função da necessidade de mão de obra especializada, com vivência na área de atuação e experiência em projetos específicos.

 

A contratação de profissionais que voltam ao mercado é percebida principalmente em cargos técnicos: 72% das empresas recrutam aposentados para essa função. Outros registros são em cargos de diretoria (33%), gerência (28%), conselho (17%) e presidência (6%). Ainda de acordo com o levantamento da Hays, os setores que mais contratam profissionais aposentados são serviços (25%), bens de consumo (10%), telecomunicações (8%) e farmacêutico (7%).

 

Alexia Franco, diretora da Hays, explica que esse levantamento foi realizado a partir dos resultados de um outra pesquisa, realizada em parceria com o Oxford Economics, órgão britânico de previsão econômica. O estudo apontou que profissionais com de 65 anos representarão quase 20% da força de trabalho brasileira em 2030, quando o país terá 16,2 milhões de pessoas a mais no grupo de indivíduos com idade superior a 65 anos.

 

Reinserção – Para elaborar o estudo, foram pesquisados 25 países dos cinco continentes. O Brasil está no quarto lugar no ranking das nações com previsão de maior crescimento da população idosa nos próximos 20 anos (em números totais), atrás de China (121,2 milhões de idosos a mais), Índia (64,8 milhões adicionais) e Estados Unidos (32 milhões adicionais). “Nessa pesquisa, foi percebido que, em função da falta de profissionais qualificados, especialmente em cargos técnicos, do aumento da expectativa de vida da população e do fato de profissionais seniores manterem disposição para o trabalho, os aposentados estão cada vez mais sendo reinseridos no mercado. Quisemos aprofundar essa percepção entre os nossos clientes, o que levou ao segundo levantamento”, explica Alexia.

 

O caso de José Fernando Lima, 62 anos, ilustra bem esse cenário. Ele se aposentou em 2003, e, uma empresa de telecomunicações, mas continuou trabalhando até 2005. Entre 2006 e 2009, já desligado da empresa, passou a prestar consultoria, até que, em 2010, foi contrato pela operadora de telecomunicações Telbrax como coordenador de implantação de serviços. “Trabalhei a vida toda nessa área de telecomunicações. Cheguei a fica um tempo em casa depois de aposentado, mas não estou acostumado a ficar parado. Como tenho uma boa experiência no mercado, acabo sendo requisitado”.

 

Como consultor, ele trabalho para a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), empresa do governo federal, e viajou fazendo palestras e vistoria. Até que a Telbrax o chamou para prestar consultoria em um projeto de expansão. “Eles me pediram para avaliar os pontos chaves necessários para completar o quadro de funcionários e o que era preciso para melhorar e aprimorar as atividades. Fiz em alguns dias e enviei o relatório. Eles gostaram e me pediram para trabalhar na implementação desse projeto, porque não encontraram no mercado alguém com experiência ampla nisso.” José Fernando garante que a relação com os profissionais mais novos é muito boa. “Adapto-me facilmente ao moderno. Além disso, sou bastante dinâmico, até muito elétrico”.

 

Diferencial Competitivo


Pela bagagem profissional, maturidade e visão estratégica, aposentados são cobiçados pelas empresas

 

O profissional sênior tem sido visto com bons olhos pelo mercado devido a fatores como alto nível de maturidade, um diferencial no momento de liderar e negociar projetos. De acordo com Alexia Franco, diretora da Hays, o fato de o Brasil estar recebendo investimentos importantes em áreas de magnitude, como um infraestrutura, dá ao profissional com mais experiência uma vantagem relevante. “Percebemos que no país há uma carência de qualificação no chamado nível intermediário, que não é nem o profissional recém-formado nem aquele que começou a carreira há mais de 30 anos. Isso é importante pela questão da transferência de conhecimento, mas sempre com foco no desenvolvimento”.

 

Por outro lado, a reinserção de profissionais aposentados no mercado de trabalho exige atenção em alguns pontos fundamentais. Segundo a diretora, não se pode esperar que ele aceite trabalhar 14 horas por dia. “A proposta da carga horária tem que ser diferente. Como ele está mais focado em trazer uma visão mais estratégica, não tem a necessidade de presença intensa na empresa.”

 

Além disso, esse tipo de profissional tem outras prioridades. Oferecer somente um bom salário não é o principal. “A forma de abordagem tem que ser diferenciada em termos de discurso. Ele vai colocar na balança a qualidade de vida, o tempo com a família, a relevância da sua participação nos projetos. Tem que ser um pacote atrativo para retê-lo.”Também dever ser levada em consideração a necessidade de reciclagem e treinamento. Alexia afirma que a empresa tem que dar condições ao profissional de ter uma visão do momento, já que os processos mudam muito rápido. "Esse ritmo acelerado não fez parte da realidade de construção de carreira dele. É preciso olhar sob o ponto de vista de desenvolvimento, não só a bagagem desse profissional”.

 

A partir do momento em que o aposentado é recontratado, surge outra questão: a relação entre os colegas bem mais jovens. A cultura da empresa é que vai determinar se esse encontro vai ser bem ou malsucedido. “Ter 100% de geração Y (entre 18 e 29 anos) ou 100% de geração baby boomers (entre 50 e 70 anos) não é válido. O sucesso é ter equilíbrio. São públicos e abordagens diferentes e a empresa tem que reforçar atrativos para cada um. Senão, gera conflitos”. Os jovens precisam estar dispostos a aprender e a ter no profissional sênior uma referência. Já o profissional mais velho tem que aprender a ouvir o jovem, fazer uma gestão em parceria e rever a questão da hierarquia, que era muito forte no começo da sua carreira.

 

Permanência – Fora o retorno dos profissionais aposentados ao mercado de trabalho, outra realidade tem chamado a atenção de Adriana Prates, presidente da Dasein Executive Search. Trata-se do aumento do número de profissionais que, mesmo aposentados, não saem do mercado, permanecem nas empresas por mais tempo e adiam a aposentadoria para alguns anos à frente. “O motor da economia tem determinado novas regras. É um movimento que se fundamenta num conjunto de aspectos que tem afetado a sociedade brasileira, como a melhoria das condições de vida, saúde física e mental da população de um modo geral, que alcançando maior vitalidade e longevidade, altera o antigo cenário de ‘pendurar as chuteiras’, por volta dos 60 anos”.

 

Para Adriana, com a mudança na expectativa de vida, esses profissionais também fazem revisão de seus planos e veem nessas oportunidades uma forma positivas de atuar com mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional, maior controle do próprio tempo, melhoria da rentabilidade e a possibilidade de construir na formação, desenvolvimento e evolução dos jovens profissionais. “Outra aplicação dessa realidade ocorre nas posições estratégicas enquanto conselheiros, procuradores, consultores, mentores, coaches, executivos temporários, que, com toda as experiência e maturidade, colaboram na melhoria da gestão, governança corporativa e aperfeiçoamento dos processos decisórios nas organizações.”

 

O engenheiro civil Romero Furtado, de 83 anos, é exemplo de uma relação bem-sucedida entre trabalho e vida pessoal. Ele se aposentou em 1984, mas permanece até hoje na Construtora Mello Azevedo, onde é representante da direção no setor de qualidade. Romero garante ser muito consultado pelos jovens que trabalham na empresa. “Acredito que seja pela minha vivencia, por tudo que já passei na empresa”. Ajuda também o fato dele ser bastante antenado. “Sou o que aceita as novidades com mais rapidez. Não tem essa de ‘no meu tempo’. O meu tempo é hoje. Inclusive, estou implantando um sistema novo no arquivo eletrônico. Além disso, faço cursos e procuro me atualizar em relação às novidades da engenharia”.

 

Embora brinque ao dizer que continuou trabalhando porque “sapo não pula por brincadeira, mas por necessidade”, Romero tem verdadeiro prazer na função. “Umas das razões de eu estar vivo e interiro é o trabalho. Muitas pessoas que se aposentam envelhecem rápido. Quero trabalhar enquanto for útil, não para tapar buracos”. Por outro lado, cumpre satisfeito sua jornada diária de oito horas. Romero não abre mão da vida fora da empresa. Com sete filhos e 11 netos, um dos seus momentos preferidos é cuidar da horta que tem em casa. “Também viajo nas férias com a minha mulher. Ela aos 74 anos, continua atendendo em seu consultório. É a responsável por eu aparentar ter 60 anos”.

___________________
Fonte:Jornal Estado de Minas
http://www.dasein.com.br/pt/clipping/view/158/hora-de-calcar-as-chuteiras

Categorias: Mercado de Trabalho


Imprimir
Compartilhar:
Indicar a alguém:



Enviar
Postar um comentário

(Sujeito a moderação)



Enviar
0 comentário(s) para esta matéria

Busque no arquivo

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
31
Tal