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Elas estão cada vez mais no poder

31/01/2012 | 00:00

Por DNews

No próximo mês de maio, a Faculdade de Direito da UFMG, uma das mais tradicionais e reconhecidas do país, completa 120 anos de existência. O aniversário histórico vem acompanhado de um outro marco: o fato de, pela primeira vez em toda a sua trajetória, a Escola passar a ser dirigida por uma mulher, a doutora Amanda Flávio de Oliveira.

 

Além de professora, Amanda foi diretora do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça e assessora de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). É autora dos livros “Direito de (não) fumar - Uma abordagem humanista” (2008) e “Direito da concorrência e o Poder Judiciário” (2002).  Sua experiência tem ênfase em Direito Econômico, Direito Antitruste, Direito do Consumidor, Direito Sanitário e Direito Constitucional.

 

Na entrevista a seguir, a dra. Amanda Flávio de Oliveira fala sobre a ascensão feminina na alta gestão das empresas e sobre os desafios que terá na gestão da Faculdade de Direito.

 

DNEWS - Qual o significado de ser a primeira mulher a assumir a direção da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, uma das mais respeitadas do país? Quais serão seus principais desafios no cargo?

 

Amanda Flávio - É uma grande honra para mim. Especialmente quando levamos em conta as inúmeras personalidades relevantes do cenário jurídico, político, empresarial e artístico brasileiro que já integraram e ainda integram a Faculdade de Direito da UFMG. Entre os principais desafios da nossa gestão, destaque para a missão de respeitar e preservar a tradição da Escola e, também, trabalhar com a imperiosa necessidade de nos mantermos afinados com os novos modelos de gestão, de uso de recursos tecnológicos e de virtualização de processos. É um desafio que me motiva a tentar alcançar o equilíbrio entre o tradicional e o tecnológico; conciliar a sobriedade que pauta a excelência e a história da Faculdade com o dinamismo, o tempo e as soluções proporcionados pelos novos recursos.

 

DNEWS - A presença feminina em cargos de chefia é cada vez mais nítida. Em sua opinião, a que se deve esse crescimento?

 

AF - O crescimento da participação feminina no mercado de trabalho, em cargos de chefia, é algo que me parece natural. As mulheres hoje não apenas entram no mercado de trabalho, mas sim constroem carreiras. O ingresso das mulheres no mercado é algo já relativamente antigo na história brasileira. O que é recente é a segunda situação, o fato de que elas agora passam a ter as suas carreiras. Parece-me que a conquista de postos de chefia pelas mulheres decorre, naturalmente, do desenvolvimento desse processo, tal como ocorre com os homens.

 

DNEWS - Em certos contextos, avalia-se as mulheres como seres detentores de características particulares que as tornariam mais aptas para determinadas funções. O mesmo com os homens, em face de outras atividades e competências específicas. Como você enxerga esta questão?

 

AF - Existem certas características que costumam ser, histórica ou culturalmente, relacionadas ao elemento feminino, tais como a sensibilidade, o cuidado com os detalhes e a dedicação ao outro. Por sua vez, ao elemento masculino costuma-se atribuir características como o pragmatismo, a assertividade e a eficiência. Em minha opinião, porém, tanto homens como mulheres podem apresentar essas características em sua personalidade, independentemente do sexo. Não vejo distinção entre a atuação de homens e das mulheres no ambiente de trabalho, mas entre personalidades individuais.

 

DNEWS - Uma última questão. Diante da criação de tantos cursos de Direito no país, o que se nota, muitas vezes, é que a qualidade é colocada em segundo plano. No ano passado, por exemplo, de 1.210 cursos em todo o país, apenas 90 (7,4%) receberam o selo de recomendação da OAB. Como a Faculdade de Direito da UFMG consegue manter o padrão de qualidade frente a essa explosão dos cursos no Brasil?

 

AF - A Faculdade de Direito da UFMG é uma das Escolas de Direito mais antigas do país e tem uma longa história de excelência. Atribuo isso aos alunos, sempre inquietos intelectualmente, questionadores e empenhados, e, também, ao corpo docente, de nível reconhecidamente elevado. À Direção da Faculdade compete o papel de criar um ambiente favorecedor ao surgimento e à implementação das iniciativas docentes e discentes, e que valorize e estimule a pluralidade de ideias e opiniões que ela comporta.

___________________

Fonte: DNews
Edição:Fevereiro 2012

http://www.dasein.com.br/pt/dnews/index/2012-02/2

Categorias: Entrevista


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